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Sócrates

Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira
19/2/1954, Belém (PA) – 4/12/2011, São Paulo (SP)

Foi um dos raros exemplos dentro do futebol brasileiro de jogador politizado. Formado em medicina em 1977, foi um dos líderes do movimento conhecido como Democracia Corintiana, que buscava uma maior participação dos atletas nas decisões do clube e que foi um marco dentro da ditadura que regia o Brasil na época. Como era de se esperar, participou dos movimentos pelo fim do regime e pela redemocratização do País.

Sua veia política veio do pai, funcionário público, que adorava ler, inclusive nomeando o filho em homenagem ao filósofo grego. Acabou se mudando junto com a família para Ribeirão Preto por causa de uma transferência do pai no emprego. Foi na cidade que conheceu e se apaixonou pelo futebol.

Passou a integrar os juvenis do Botafogo de Ribeirão, mas sem nunca abandonar os estudos. Aos 17 ingressou na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Quando se profissionalizou em 1973, passou a conciliar o esporte com as aulas.

A paciência do clube com o rapaz alto e magro mas com uma qualidade em campo muito acima da média foi recompensada em 1977, quando o time conquistou o primeiro turno do Campeonato Paulista. Foi também o principal nome da equipe no Campeonato Brasileiro, já apresentando ao rival Santos uma de suas armas: o calcanhar, fazendo um gol neste estilo.

No ano seguinte foi reforçar o Corinthians, clube que havia saído de uma fila de 23 anos em 77.  Formou ao lado de Palhinha e posteriormente de Casagrande uma dupla que conquistou a fiel torcida. Ganhou o apelido de “Doutor” devido a sua formação e de “Magrão” graças a seu porte físico.

Conquistou três Campeonatos Paulista em seis anos de clube. O primeiro logo em 79 ao lado de Jairo, Zé Maria, Mauro, Amaral, Wladimir, Caçapava, Biro-Biro, Píter, Palhinha e Romeu. Ganhou ainda em 82 e 83. Entretanto muitos consideram tão ou mais importante que os passes e os gols dentro de campo a contribuição fora dela com a politização do clube. Coincidência ou não foi durante os anos da Democracia (82 e 83) que Sócrates teve seu melhor momento no time.

Foi convocado pela primeira vez para a seleção brasileira em 1979 com 25 anos de idade, pelo então técnico Telê Santana, admirador confesso do estilo elegante do meia. Estreou no Maracanã com 60.627 torcedores, em 17 de maio contra o Paraguai (vitória de 6x0). Acabou integrando o time que disputou a Copa de 82 na Espanha. Ao lado de Zico, Falcão e Cerezzo, formou um dos melhores meio de campo que o Brasil já teve. Entretanto acabaram sendo eliminados pela Itália.

Participou do movimento “Diretas Já” em 83 que pedia a volta do voto direto. Afirmou que se a emenda que redemocratizava o Brasil fosse aprovada ele continuaria atuando por aqui. O projeto não passou e em 1984 Sócrates aceitou a proposta da Fiorentina da Itália e deixou o País.

Ficou apenas uma temporada jogando na Itália e veio para o Flamengo, onde conquistou o Campeonato Carioca de 86. No mesmo ano foi convocado para o Mundial de Futebol. Já fora de forma, não conseguiu repetir as brilhantes atuações de quatro anos antes, e ficou marcado por perder um pênalti na partida contra a França (defendido por Bats), que acabou eliminando o Brasil. Ao todo disputou 63 jogos defendendo o País.

Jogou ainda no Santos entre 88 e 89, e encerrou a carreira no Botafogo de Ribeirão. Acabou virando treinador da equipe, mas não ficou muito tempo, nem no clube, nem na carreira. Comandou ainda a LDU e o Cabofriense. Foi trabalhar com o conhecimento e a inteligência. Se tornou jornalista, cantor, ator e produtor de teatro.

Boêmio desde os tempos de jogador, adorava uma mesa de bar, tanto pelas conversas quanto pela cerveja. Gostava tanto que acabou tendo problemas por causa do álcool. Chegou a ser internado duas vezes por hemorragia digestiva decorrente do consumo prolongado da droga. Acabou falecendo em consequência de um choque séptico (infecção generalizada causada por bactéria). No mesmo dia de sua morte o Corinthians, que se tornou seu time de coração, conquistou pela quinta vez o Campeonato Brasileiro.

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