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Umberto Eco

Umberto Eco
5/1/1932, Alessandria (Itália) - 19/02/2016, Milão (Itália)

Considerado um dos maiores estudiosos da ciência da comunicação, Umberto Eco iniciou a carreira acadêmica na Universidade de Turim, onde cursou filosofia medieval e literatura. Embora tenha recebido uma educação salesiana durante a adolescência, cuja ordem religiosa se refere em muitos de seus textos e entrevistas, o escritor abandona completamente a religião católica nessa fase de  estudos universitários.

No ano em que se forma em Filosofia, 1954, ingressa na rede de televisão estatal italiana RAI, em Milão, onde trabalha durante cinco anos como editor cultural. Nesse período, aproxima-se da vanguarda artística italiana, tornando-se amigo de pintores, músicos e escritores que posteriormente influenciarão de maneira decisiva a carreira literária do escritor.

Esse grupo constituiria alguns anos mais tarde o movimento que ficou conhecido por Gruppo 63, em alusão ao ano em que foi fundado por Umberto Eco, o poeta marxista Edoardo Sanguineti e o crítico literário Giorgio Manganelli, entre outros intelectuais, e que questionava o consumismo difundido pelos meios de comunicação de massa e criticava a sociedade capitalista contemporânea.

Após a publicação de seu primeiro livro, "Il Problema Estetico in San Tommaso" (1956, não editado no Brasil), uma ampliação de sua tese de doutorado, aprofunda seus estudos de estética na Idade Média por meio da obra "Arte e Beleza na Estética Medieval" (1959). Nessa época, trabalha como editor sênior de não-ficção na editora Bompiani, também em Milão, onde permanece  até 1975. Paralelamente, desenvolve durante quase 15 anos a função de professor assistente nas Universidades de Turim, Florença e Milão, tornando-se em seguida professor titular de Semiótica na Universidade de Bolonha, cargo que ocupou durante mais de trinta anos.

Desde a década de 1960, tem atuado também como professor visitante de renomadas universidades estrangeiras, tais como New York University, Columbia, Yale, Cambridge, Oxford, Universidade de Toronto e Harvard, dentre outras, tendo recebido o título de Doutor Honoris Causa de mais de 30 universidades. É também colunista de diversos jornais italianos, tais como Il Giorno, Corriere della Sera e L'Espresso.

Os estudos do italiano foram divulgados inicialmente no Brasil por meio dos concretistas Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari. Um de seus livros mais conhecidos é "Obra Aberta" (1962), uma coletânea de ensaios que abordam a multiplicidade de interpretações possíveis às poéticas artísticas contemporâneas, tanto no campo da literatura quanto no da música e das artes plásticas. O ensaísta dedica-se também à problemática dos meios de comunicação de massa, tópica discutida em alguns artigos de "Diário Mínimo" (1963), e no livro "Apocalípticos e Integrados" (1964), cuja temática foi abordada durante o curso “Problemas de Comunicação de Massas”, ministrado pelo escritor no Brasil, em 1966.

Possui grande parte de sua obra dedicada ao estudo dos signos comunicativos, tais como em "Semiótica & Filosofia da Linguagem" (1984) e em "Os Limites da Interpretação" (1994), uma reflexão do mundo contemporâneo sob um viés semiológico, entre outros. Publica diversos livros e coletâneas de ensaios durante a década de 70, tais como "Viagem na Irrealidade Cotidiana" (1977) e "Como se Faz uma Tese" (1977), antes de começar a escrever romances.

Seu primeiro livro de ficção, "O Nome da Rosa" (1980), ambientado na primeira metade do século XIV,  é um romance histórico que se funde com a narrativa policial e desenvolve uma série de apontamentos teológicos e filosóficos, fruto da inegável erudição de seu autor. A obra tornou-se rapidamente um best-seller, tendo sido adaptada para o cinema pelo cineasta francês Jean-Jacques Arnaud. Além deste, publicou também os romances "O Pêndulo de Foucault" (1988), "A Ilha do Dia Anterior" (1994), "Baudolino" (2000), "A Misteriosa Chama da Rainha Loana" (2004), "O Cemitério de Praga" (2010) e "Número Zero" (2015).

 O acadêmico morreu em sua casa em Milão, aos 84 anos.

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