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Villa Lobos

Heitor Villa-Lobos
5/3/1887, Rio de Janeiro (RJ) - 17/11/1959, Rio de Janeiro (RJ)

Enquanto alguns artistas tem seus dotes ignorados ou desestimulados na infância, o mesmo não pode-se dizer de Villa-Lobos. Foi durante a juventude de um dos principais compositores brasileiros que diversas influências de sua idade madura foram adquiridas e desenvolvidas. Seu pai Raul, funcionário da Biblioteca Nacional, era também músico amador e o ensinou as primeiras notas do violoncelo (em uma viola adaptada para simular o instrumento, grande demais para uma criança de seis anos de idade) e clarinete.

Antes disso no período 1892/93, residiu com a família em algumas cidades do interior do estado do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, onde teve o primeiro contato com a cultura popular sertaneja com destaque para as modas de viola, temática que teria espaço na sua obra musical.

De volta à capital fluminense, a casa dos Villa-Lobos tornou-se praticamente um centro cultural. É ali que se reúnem aos sábados artistas e intelectuais para conversar, e mais importante, fazer música até altas horas da madrugada. Foi nessa época que conheceu as composições de Bach que também tiveram grande contribuição em sua obra futura. A cidade do Rio de Janeiro também na formação de Heitor como compositor.  Percorria as ruas atrás das rodas de “choro” que afloravam nessa época. Anos mais tarde iria compor uma série de catorze obras que mesclavam a originalidade dos “chorões” com as técnicas de composição.

Estudou Humanidades no Mosteiro de São Bento e foi violoncelista profissional na orquestra de revistas do maestro Figueiras. Em 1908 deixou a cidade maravilhosa e passou a viajar pelo Brasil, residindo por dois anos em Paranaguá (litoral do Paraná).  Voltou para o Rio de Janeiro onde conheceu sua primeira esposa, a pianista Lucília Guimarães.

Sua primeira apresentação como compositor aconteceu em 1915 (Trio n. 1, 2.a Sonata Fantasia, peças para violoncelo e piano, piano solo e várias canções). Apresentou-se em 1919 em Buenos Aires. Logo no começo da década seguinte foi convidado por Graça Aranha para se apresentar na Semana de Arte Moderna de 1922.

Viajou para a Europa logo em seguida e fixaou residência em Paris (financiado pelo governo, em uma proposta que gerou polêmica na época). Lá entrou em contato com a diversos artistas europeus e desenvolveu suas ideias de música com caráter nacionalista. Voltou em 1924 para o Brasil, mas logo retornou para o velho continente. Com suas apresentações na França passou a ter prestígio internacional. Permaneceu na cidade luz até 1930, quando retornou ao Brasil para inicialmente, apenas apresentar-se em São Paulo.

Começou ai uma segunda etapa em sua carreira, onde passou a dedicar-se a demonstrar a importância do ensino musical. Elaborou e propôs a Secretaria de Educação de São Paulo um plano para levar a música para dentro da sala de aula.

No ano seguinte organizou uma apresentação de um coral de mais de 12 mil pessoas chamada de “Exortação Cívica”. Passa a partir de 1936 a desenvolver um trabalho no Rio de Janeiro, ficando responsável por organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA). No mesmo ano viajou para a Europa onde apresentou seus planos. Foi nessa época que pediu divórcio de sua mulher e assumiu a relação com sua ex-aluno e secretária Arminda Neves de Almeida.

Em 1942 reuniu diversos artistas para gravar a pedido do maestro americano Leopold Stokowski uma coletânea de músicas brasileiras. Dois anos depois aceita o convite para se apresentar nos Estados Unidos.  Em 1945 fundou a Academia Brasileiro de Música.

Morou nos EUA entre 1957 e 1959.  Retornou ao Brasil para o aniversário do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Morreu devido a um câncer. Ao longo de sua vida compôs diversas obras que entraram para o hall das mais importantes músicas brasileiras. Entre elas destacam-se as “Bachianas Brasileiras”, “Trenzinho Caipira”, “O Canto do Uirapuru”, “Remeiro do São Francisco” e “Cair da Tarde”. 

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