ir para o conteúdo
Busca
Busca por data

Volpi

Alfredo Volpi
14/4/1896, Lucca (Itália)  – 28/5/1988, São Paulo (SP) 

Veio para o Brasil junto com a família com apenas um ano de idade. Não chegou a concluir o primário, mas demostrava desde pequeno interesse por cores, formas e pela pintura. Pelas dificuldades financeiras, não começou cedo na vida artística, nem estudou em escolas de arte, mas sim  frequentou a Escola Profissional Masculina do Brás.

Viveu no bairro do Cambuci (local onde passou a maior parte de sua vida) e trabalhava como marceneiro e decorador de interiores e pintor de paredes. Coloria com frisões e painéis as mansões da Avenida Paulista. Anos mais tarde fazia questão de frisar que aquilo não era arte.

Ficou longe do movimento artístico que na época introduziu o modernismo no País. Era autodidata, criando seu próprio estilo e aprendendo as técnicas. Em 1925 passou a se apresentar em exposições coletivas. Conheceu em 1927 Benedita da Conceição, o grande amor de sua vida e que serviria de inspiração para seu quadro “Mulata”.

Nos anos seguintes participou do Salão de Maio e na 1ª. Exposição da Família Artística Paulista (1938). No final da década de 1930 viajou para Itanhaém no litoral sul de São Paulo devido a recomendações médicas para sua esposa. A cidade e o mar serviram de inspiração e Volpi passou a criar obras com temas marítimos.

Somente em 1940 passou a integrar o Grupo Santa Helena, que desenvolvia pinturas de cenas do cotidiano dos arredores da capital paulista. Conheceu artistas como Rebolo, Clóvis Graciano, Pennacchi e Ernesto de Fiori que viria a ser uma grande influência em suas obras. No mesmo ano participou do 7º Salão Paulista de Belas-Artes

Na década de 40 Volpi começou a transição de telas figurativas para as geométricas. Faz sua primeira exposição individual em 1944, aos 47 anos de idade. No mesmo ano com dinheiro da venda de seus quadros conseguiu fazer sua primeira e única viagem a Europa. Ficou impressionado com os afrescos pré-renascentistas de Giotto.

Quando retornou ao Brasil começou a inovar, deixando de lado totalmente o figurativismo básico e passou a pintar casas sem perspectiva, em duas dimensões.

Sua fama viria na década seguinte, durante a II Bienal de São Paulo. Por insistência do crítico inglês Herbert Read, ganhou o prêmio de melhor artista brasileiro na ocasião, dividindo o prêmio com Di Cavalcanti (que não gostou da divisão com o “carcamano que pinta bandeirinhas”). No mesmo ano, 1953, participou de uma festa junina e entregou-se ao concretismo. Em 1960 surgiu as bandeirinhas que se tornaram marca registrada do artista.

Não participou do grupo de modernistas do Brasil, pelo contrário. Após o incidente na Bienal, nomes ilustres como Di Cavalcanti e Portinari passaram a desdenhar do trabalho de Volpi. Por sua vez, ele também não gostava das obras deles, afirmando por exemplo que Portinari “só tinha punho”.

Passou a desenvolver técnicas de pintura individuais. Deixou de usar tintas industrializadas e passou a criá-las com clara de ovo e pigmentos naturais. Criava várias obras parecidas, trocando as cores.

Em 1972 é realizada a primeira grande retrospectiva de sua carreira, em uma exposição no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. É nesse ano também que morre sua esposa. Em 75 é a vez de suas obras serem expostas no MAM de São Paulo. Completou 80 anos em 1976 comemorada com uma exposição no Museu de Arte Contemporânea de Campinas.

Passou a década seguinte trabalhando em suas figuras geométricas já influenciadas pelo abstracionismo. Em 1983 a Paulistur organiza a homenagem “Pinte com Volpi”. Três anos depois, as portas de completar 80 anos o MASP organizou a maior exposição da carreira, reunindo 193 obras na mostra.

Viveu os últimos anos de sua vida em tranquilidade. Continuou gostando das mesas fartas com massas e carnes e dos vinhos como um bom italiano.

 Pintava sempre em tranquilidade, sem permitir interrupções. Deixou de pintar dois anos antes de morrer, devido a sua condição física (que o impossibilitava as vezes até mesmo de subir as escadas até seu atêlie). Uma pintura ou desenho de Volpi passaram a valer de 7 a 200 mil dólares nesse período.

Páginas selecionadas pelo Editor

PÁGINAS HISTÓRICAS

Proclamação da República

Veja essa e outras capas que marcaram época Proclamação da República

Acervo Estadão

Tópicos
ver todos