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Zilda Arns

Zilda Arns Neumann
25/8/1934, Forquilhinha (SC) – 12/1/2010, Porto Príncipe (Haiti)

Reconhecida internacionalmente por sua atuação na Pastoral da Criança e na Pastoral da Pessoa Idosa, Zilda Arns foi também representante titular da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Saúde além de membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Natural de Santa Catarina, foi a 13ª dos 16 filhos de Gabriel Arns e Helene Steiner, casal brasileiro de origem alemã. Formou-se em medicina pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especializou-se em saúde pública, pela Universidade de São Paulo (USP) e em Administração de Programas de Saúde Materno-infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS).

A experiência como pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba, e como diretora de Saúde Materno-infantil, na Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, levou-a a ser convidada a coordenar, em União da Vitória (PR), uma campanha de vacinação para combater a epidemia de poliomielite nos anos 1980, ação que foi posteriormente adotada pelo Ministério da Saúde.

Zilda Arns foi então indicada pelo irmão, o cardeal D. Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo, para iniciar uma campanha de combate à desnutrição. A ideia surgiu durante um encontro em Genebra, na Suíça, entre o irmão, então arcebispo de São Paulo, e o secretário executivo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), James Grant. Assim, a pedido da CNBB, Zilda Arns cria a Pastoral da Criança, em conjunto com Dom Geraldo Majela Agnello, arcebispo de Londrina na época. O projeto teve início em março de 1983, em Florestópolis, cidade paranaense então com maior índice de mortalidade infantil.

Por meio de uma metodologia comunitária de multiplicação de conhecimento, Zilda Arns recrutou inicialmente 20 mulheres e capacitou 76 líderes comunitárias para o combate à desnutrição e à mortalidade infantil. Esse projeto-piloto se espalhou para todos os Estados brasileiros e atualmente conta com 262 mil voluntários que acompanham 1,9 milhão de crianças e gestantes em 4.063 municípios. Iniciativas simples adotadas pela Pastoral, tais como a disseminação do soro caseiro para combater a desidratação, uma das principais causas de morte entre crianças menores de 1 ano naquela época, além de outras política de baixo custo e amplo alcance, foram responsáveis pela queda da taxa de mortalidade infantil no país, de 127 para 11 óbitos por mil nascidos vivos – uma redução de 91,3%.

Em 2004, Zilda fundou a Pastoral da Pessoa Idosa, fruto de uma parceria que já vinha sendo desenvolvida durante quase 10 anos entre a sanitarista e o médico geriatra João Batista Lima Filho, também baseada na metodologia de disseminação de conhecimento da Pastoral da Criança. Atualmente, a Pastoral da Pessoa Idosa realiza o acompanhamento mensal de mais de cem mil idosos por 14 mil voluntários, em 579 municípios do país.

O sucesso da empreitada de Zilda Arns e da CNBB fez com que a Pastoral da Criança expandisse fronteiras e chegasse a 17 países. A Pastoral foi indicada pelo governo brasileiro a concorrer ao Prêmio Nobel da Paz em 2001, 2002, 2003 e 2005. Em 2006, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido durante mais de 20 anos na Pastoral da Criança, Zilda Arns foi indicada pela primeira vez ao Prêmio Nobel da Paz, em conjunto com outras 999 mulheres de todo o mundo selecionadas pelo Projeto 1000 Mulheres.

Sua última missão humanitária ocorreu no início de 2010, no Haiti, quando proferiu uma palestra para cerca de 150 pessoas numa igreja na capital Porto Príncipe. Faleceu em 12 de janeiro de 2010, aos 75 anos de idade, durante o terremoto que destruiu a cidade e deixou mais de 200 mil mortos em todo o país. Zilda Arns recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais por sua atuação humanitária, dentre eles o Opus Prize (EUA, 2006), o Prêmio Heroína da Saúde Pública das Américas (Organização Pan-Americana de Saúde, 2002), Prêmio Rei Juan Carlos (Espanha, 2005), Medalha O Pacificador da ONU, (Parlamento Mundial de Segurança e Paz, 2005) e o Prêmio Direitos Humanos 2000 da Associação das Nações Unidas (Brasil, 2000).

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