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Bossa Nova

O movimento musical brasileiro de maior repercussão internacional teve início no final da década de 1950. Com influências de samba, música erudita e jazz americano, esse estilo tem como principais expoentes os músicos João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Morais, Nara Leão, Luiz Bonfá, Carlos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Roberto Menescal e Baden Powell. O marco inicial da bossa nova foi o lançamento do LP "Canção do Amor Demais", com músicas de Tom Jobim e Vinícius de Morais interpretadas pela cantora Elizeth Cardoso ao som do violão de João Gilberto. A música “Chega de Saudade”, gravada pela primeira vez em 1958, é considerada o primeiro registro fonográfico da bossa nova. Esta música já foi regravada mais de 100 vezes por artistas brasileiros e estrangeiros. O novo estilo e as características desse gênero musical estão no compacto "Bim-Bom" e no LP "Chega de Saudade", ambos de João Gilberto. As músicas da bossa nova têm um caráter intimista nas interpretações; maior integração entre ritmo, melodia e harmonia, sendo musicalmente mais modulada; acordes alterados; a constante dos temas liricamente aproveitados do dia a dia e do coloquialismo; economia de instrumentos; ritmo quaternário com deslocamentos independentes da melodia.

“Desafinado”, de Tom Jobim e Newton Mendonça, consagra a expressão que já era moda entre os jovens: “Isto é bossa nova, isto é muito natural”. Em 1960, o termo 'bossa nova' se torna a expressão de maior uso comercial e publicitário do ano. No ano seguinte, é lançada a música “O Barquinho”, de Ronaldo Bôscoli e Roberto Menescal. A ideia para a letra da canção surgiu numa tarde em Cabo Frio (RJ), quando Menescal passou algumas horas com amigos dentro de um barco quebrado à espera de resgate. Enquanto o reboque não chegava, ia cantarolando alguns versos. No dia seguinte, na casa de Nara Leão, completou a música com o parceiro Bôscoli. A canção ficou famosa na voz da cantora Maysa, e fez parte das apresentações realizadas no histórico Festival de Bossa Nova, que ocorreu em 1962, no Carnegie Hall, em Nova York. O concerto, do qual participaram Tom Jobim e João Gilberto, foi produzido pela Audio Fidelity Records e Show Magazine com apoio do Itamaraty para promover o movimento musical nos Estados Unidos. Assim, o movimento ganhou êxito mundial, motivando a edição de novos discos e ampliando o grupo de artistas que se identificava com o movimento. Muitos artistas brasileiros passaram então a apresentar-se, ou até mesmo residir no exterior, caso de Oscar Castro Neves, Sérgio Mendes e Eumir Deodato, entre outros. Naquele mesmo ano, é lançada também a famosa “Garota de Ipanema”, de Tom e Vinícius, regravada posteriormente por Frank Sinatra, com quem Tom Jobim iniciou parceria em 1966.

O músico Carlos Lyra, excepcional melodista, foi também um artista engajado na década de 60, e muitas de suas canções refletiam o momento de inconstância política que começava a ser vivenciado na época. Uma de suas composições, “Maria Ninguém”, agradou à atriz francesa Brigitte Bardot, na época em que ela frequentava Búzios. A diva do cinema gravou a canção em 1963. Carlos Lyra também compôs músicas que ficaram famosas na voz de Elis Regina. Dois anos depois, João Gilberto recebe quatro Grammy por Getz/Gilberto, incluindo "Melhor Álbum" e "Disco do Ano". O disco ficou 96 semanas em 2º lugar da parada pop da revista Billboard, atrás somente dos Beatles. Em 1971, Frank Sinatra gravou o LP "Sinatra & Cia", com cinco músicas de Tom Jobim e arranjos de Eumir Deodato. No ano seguinte, sai o disco de bolso "O Tom", de Antonio Carlos Jobim e "O Tal" de João Bosco. No semanário "O Pasquim" é encartado um compacto contendo a primeira gravação de “Águas de Março”.

Embora tenha sido uma marca dos anos 1960 e 1970, o gênero ganhou impulso na década de 1990 após o lançamento do livro "Chega de Saudade", de Ruy Castro, e de CDs de representantes contemporâneos da bossa nova, tais como Peri Ribeiro, Tito Madi e Wanda Sá. Em 2008, uma série de homenagens no Rio de Janeiro e em São Paulo marcou o aniversário dos 50 anos do movimento musical.

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