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Crash de 1929

Crise econômica resultante da quebra da Bolsa de Valores de Nova York em 1929

    O final da Primeira Grande Guerra deixou a Europa arrasada. Neste momento, os Estados Unidos emergiam como o país mais rico do mundo e se transformavam na grande potência política e econômica do século 20. No final da década de 1920, a prosperidade econômica norte-americana, associada aos níveis altíssimos das taxas de juros dos Estados Unidos, atraía investimentos do mundo todo. Novas tecnologias descobertas durante a guerra transformavam-se em produtos acessíveis ao consumidor. Assim como as redes elétricas, as estradas passavam a unir os EUA do Atlântico até o Pacífico. Em pouco tempo o automóvel, o rádio e os filmes passavam a fazer parte do estilo de vida da época. Esses tempos prósperos e dinâmicos também contagiavam a Europa (após 1925) da mesma euforia.

    Nos Estados Unidos, indústrias operavam em regime de superprodução, motivadas pela concorrência, e confiantes na ideia de que a publicidade, cada vez mais difundida pelos novos meios de comunicação de massa, geraria demanda por produtos. A produção fabril aumentou 30% entre 1923 e 1929. Os lucros cresceram 62% e os dividendos tiveram um aumento de 65%. As cotações na Bolsa refletiam essa excelente produtividade, registrando uma alta de 17% nesse período. O salário/hora das indústrias não refletia esse crescimento exponencial da economia, tendo crescido módicos 8% de 1923 a 1929. Com os salários estagnados, enquanto os dividendos de ações dobravam em questão de dias, a compra de títulos se tornava extremamente popular, não só entre bancos e empresas, mas também entre pessoas físicas.

    A Bolsa de Valores era vista como investimento seguro e de lucro certo. O Índice Down Jones de 1921 até 1929 subiu vertiginosamente. Acreditando que o mercado sustentaria uma alta permanente dos preços, corretores chegavam a emprestar até 2/3 do valor das ações para que seus compradores pudessem seguir investindo na bolsa. Muitos utilizaram hipotecas e todas suas economias para comprar ações, pois não acreditavam que o crash seria possível.

    Após 3 de setembro de 1929, dia em que o Índice Down Jones atingiu seu pico, 381.17 pontos, a Bolsa de Valores começou a apresentar uma crescente volubilidade. Nos dias que se seguiram foram registrados períodos de grande
volume de vendas de ações, intercalados por uma alta nos preços, e uma leve recuperação. A indústria automobilística percebeu, em meados de 1929, que seus revendedores não dispunham de meios para absorver mais carros. Decidiram por um corte severo na produção, reduzindo as encomendas de borracha, cobre, vidro e aço. Essa drástica redução na produção alertou os especuladores mais atentos, que descarregaram os papéis da United States Steel. A siderúrgica assistiu suas ações em queda livre na Bolsa, por todo o mês setembro de 1929.

    A perspectiva da diminuição dos dividendos dessas companhias fez com que esses títulos sofressem uma enorme depreciação no seu valor no período de setembro a novembro. Em outubro de 1929 o impensável aconteceu. No dia 24, posteriormente conhecido como “Quinta-feira Negra”, um número aproximado de 12.9 milhões de ações foram vendidas em apenas um dia. Por todo final de semana os eventos foram largamente noticiados na imprensa americana. Em 29 de outubro de 1929,  que ficou conhecida por “Terça- feira Negra”, a quebra se revelou inevitável. O pânico tomou conta dos investidores e mais de 15.6 milhões de ações foram vendidas até o final do dia.

    O mercado norte-americano somou uma perda de US$ 14 bilhões. A crise teve um efeito em cadeia na economia americana, levando ao desemprego, congelamento de empréstimos, falência de empresas e queda dos lucros – o período conhecido como a Grande Depressão, combatida mais tarde pelo New Deal do presidente Roosevelt. A crise também gerou um profundo desaquecimento de várias economias ocidentais. Como consequência, muitos países iriam aderir a políticas de controle dos mercados. Os efeitos sociais da crise também favoreceram o crescimento de movimentos de extrema-direita na Europa, como o nazismo alemão e o fascismo italiano.

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