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Guerra da Bósnia

Conflito internacional na região da antiga Iugoslávia (abril/1992 a dezembro/1995)

    Um conflito armado marcado por graves crimes contra a humanidade, a guerra da Bósnia foi resultado de disputas étnicas e territoriais. A região dos Bálcãs, habitada por povos de diversas etnias e religiões, foi unificada em 1918 sob o reino dos eslovenos, croatas e sérvios, que incluía a região da Bósnia Herzegovina. Mais tarde, essa entidade política veio a ser conhecida como Reino da Iugoslávia (o reino dos eslavos do sul), dominado totalmente pelos sérvios. Em 1941, o reino foi invadido pela Alemanha nazista, que controlou o país até 1945, quando o exército vermelho e as forças iugoslavas de resistência derrotaram os invasores e estabeleceram a República Federal Socialista da Iugoslávia, formada pela Croácia, Eslovênia, Macedônia, Bósnia e Herzegovina e Sérvia, sob a liderança do comunista Josip Broz Tito.

    No período em que os Bálcãs estiveram unidos em uma federação socialista, o país manteve coesão e as disputas nacionalistas permaneceram sob controle. A coesão começou a se desgastar na década de 1980, com o surgimento de partidos múltiplos, a morte do presidente Tito e a maior autonomia das províncias dentro da Federação. A Iugoslávia se dissolveu gradualmente. Seguindo uma tendência existente entre os países comunistas após o colapso da União Soviética, a Eslovênia e a Croácia garantiram a autonomia em 1991. Como consequência, as minorias de origem sérvia nesses países organizaram movimentos de resistência contrários à separação, o que culminou com a "Guerra dos Dez Dias" e a "Guerra Croata de Independência". Em fevereiro de 1992, a República Socialista da Bósnia e Herzegovina (habitada por bósnios muçulmanos e minorias de sérvios ortodoxos e croatas católicos) aprovou em plebiscito uma declaração de independência, ratificada mais tarde pela União Europeia e as Nações Unidas. Oficiais bósnios de origem sérvia, apoiados pelo governo sérvio de Slobodan Milosevic, ordenaram um ataque militar contra a província da Bósnia tendo por objetivo garantir a integridade de seu território.

    O episódio logo degenerou em um conflito sangrento de caráter genocida. Os sérvios cercaram a capital da Bósnia, Sarajevo, e perseguiram muçulmanos e croatas. Apesar de representar apenas 33% da população da Bósnia, os bósnios de origem sérvia passaram a controlar 70% do território da Bósnia Herzegovina. Milhares de bósnios muçulmanos foram assassinados pelas forças sérvias na província, enquanto dezenas de milhares foram obrigados a deixar o país. As campanhas militares contaram com crimes contra a população civil, como estupro, tortura e espancamentos. As Forças de Proteção das Nações Unidas, criadas durante a guerra da independência croata, passaram a atuar criando “zonas de segurança” para ajuda humanitária, mas obtiveram pouco sucesso.

    No começo da guerra, a República da Croácia, que almejava territórios da Bósnia Herzegovina, entrou em guerra contra os bósnios e assinou um acordo de repartição das terras da província com os líderes sérvios. Esse conflito, conhecido como “a guerra dentro da guerra”, foi encerrado com o Acordo de Washington de 1994. Seguiu-se a formação da Federação da Bósnia Herzegovina, uma aliança entre bósnios e croatas contra os sérvios e bósnios de origem sérvia. Nesse mesmo ano, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), após as fracassadas tentativas de mediar o conflito por parte da grandes potências, investiu contra tropas bósnias de origem sérvia. A presença da OTAN e a aliança bósnio-croata enfraqueceu os sérvios e foi essencial para o encerramento do conflito em 1995.

    No dia 14 de dezembro de 1995, em Paris, foi assinado um acordo geral de Paz. Negociações de paz foram conduzidas em Dayton, Ohio.No dia 21 de dezembro foram assinados acordos que definiam os limites da soberania sérvia. Os crimes de guerra foram julgados pelo Tribunal Internacional Penal da Antiga Iugoslávia, que condenou 45 sérvios, 12 croatas e 4 bósnios. A guerra foi descrita como o evento mais devastador da história da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, tendo resultado na morte de cerca de 100 mil pessoas.

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