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Revolução chinesa

 Movimento marcado pela queda do Império e instituição do comunismo (1911-1949)

Assim como a Rússia, onde um movimento primeiro derrubou uma monarquia para em um segundo momento aderir a um estado comunista, a China teve duas revoluções. A primeira, em 1911, proclamou a República. A segunda aconteceu apenas em 1949, após anos de Guerra Civil.

A insatisfação da população chinesa pode ser identificada no começo do século 20, em conflitos como a “Guerra dos Boxers” em 1900 e o nascimento do partido nacionalista, o Kuomintang (inicialmente chamado de Tung Meng Hui e fundado em 1905 pelo médico Sun Yat-sen). O principal motivo para os problemas era a influência de nações estrangeiras no território chinês.

A dinastia Manchu, que detinha o poder desde 1616, viu-se em 1908 com o pequeno Aisin Gioro Pu Yi, de apenas três anos de idade, no poder. Ao mesmo tempo o general do exército chinês, Yuan Shikai, era afastado pelo príncipe regente, que desconfiava da lealdade do militar.

Em 1909, com a crescente insatisfação de diversos grupos, o governo instituiu assembleias provinciais que transformaram-se em centros de agitação  por todo o país. No mesmo ano, um empréstimo feito por bancos estrangeiros para a China irritou ainda mais os nacionalistas, que tanto de dentro do país quanto do exterior, bradavam o fim da monarquia.

A revolução aconteceu em 10 de outubro de 1911, quando uma explosão numa casa em Hankow revelou um esconderijo revolucionário. Lá havia uma lista com diversos nomes incluindo os de alguns militares que, considerando-se em perigo, iniciaram um movimento armado contra o império. Rapidamente o conflito se espalhou por outras províncias. Tentando manter o poder e não perder o exército, o governo chamou Yuan Shikai, que para assumir o comando exigiu acumular os cargos de general e primeiro-ministro.

A contraofensiva tomou Hankow e Hanyang. Yuan tinha planos maiores e começou a negociar com os rebeldes. Sun-Yat-sen, proclamado presidente da república dos revolucionários em Nanquim, concordou em ceder o cargo temporário para Shikai. A dinastia abdicou sem opor resistência e ganhou o direito de permanecer soberana na Cidade Imperial (posteriormente o imperador teria que fugir, sendo capturado pelos russos e enviado de volta para a China comunista onde terminou seus dias como jardineiro). Um edito imperial estabeleceu a república em 12 de fevereiro de 1912.  Posteriormente Yuan assumiu como presidente interino. 

Os planos do general eram ainda maiores, com intenção da República ser apenas uma pequena etapa para a formação de uma nova dinastia. Dissolveu o Kuomintang e qualquer indício de oposição. Foi eleito presidente pelo parlamento e logo em seguida o dissolveu. Criou Conselhos, onde os membros eram escolhidos a dedo pelo presidente. Em 1º de maio colocou em vigor a constituição imperial de 1908, tomando para si os poderes que eram designados ao monarca. No final de 1914 fez um sacrifício ao céu no Altar Celeste, cerimônia típica dos imperadores. Em agosto de 1915, o Conselho (que havia tomado o lugar do parlamento) vota pela volta da monarquia.

Uma rebelião no sudeste da China, que teve rápida adesão de outras províncias, pôs fim ao sonho de Yuan de tornar-se rei. Ele permanece como presidente até 1916 quando faleceu. Uma Guerra Civil se inicia tendo de um lado o que restou da República de Shikai e do outro o Kuomintang aliado ao recém-fundado Partido Comunista Chinês de Mao-tsé Tung. Essa realidade duraria até 1927 quando Chiang Kai-shek, o novo líder nacionalista, tomou o poder. Após ser atacado, o PCC se retirou e iniciou-se a formação do Exército Vermelho. Mao promoveu diversas guerrilhas no interior do país. O embate culminou com a Grande Marcha em 1934.

O conflito civil se estendeu até 1935, com vitória do Kuomintang. Momentaneamente os comunistas e os nacionalistas se uniriam para enfrentar a invasão japonesa da China durante a Segunda Guerra Mundial.

Após o conflito, o PCC saiu fortalecido com o apoio do povo pela resistência demonstrada contra os invasores. O Kuomintang acabou derrotado em 1949, com as lideranças de esquerda proclamando a República Popular da China.

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