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Revolução russa

 Conflito que originou a União Soviética (1917)

O descontentamento popular que deu origem ao primeiro país sob um regime comunista teve dois fatores. O primeiro foi a introdução das ideias esquerdistas na Rússia. Antes fechada e com um intenso controle sobre os meios de comunicação, a situação mudou com o regime de Alexandre II, que promoveu um intenso desenvolvimento na educação e aumentou a liberdade de imprensa. Quem introduziu o marxismo no país foi George Plekhanov. O outro fator foi o estado de pobreza que grande parte do povo vivia no começo do século 20.

A primeira grande manifestação contra o absolutismo do czar Nicolau II foi em 1905. Uma rápida industrialização nas principais cidades, somadas a uma não adequação das leis trabalhistas, gerou um enorme descontentamento tanto nos trabalhadores rurais quanto nos industriais. Uma série de greves foram organizadas e surgiram os primeiros sovietes, conselhos operários criados para organizar e comandar os grevistas. Diversos setores da sociedade de então participaram das reivindicações, incluindo a Igreja Ortodoxa e o exército (como ficou registrado no filme “O Encouraçado Potekim”). O movimento culminou no “Domingo Sangrento” em 22 de janeiro, quando uma passeata até o Palácio de Inverno real foi reprimido a bala pelo guarda do imperador.

A mudança originada pelos acontecimentos foi a criação da “Duma”, o parlamento. Outro ponto importante foi a criação de partidos ligados à esquerda que, divididos em suas ideias, dariam origem ao Partido Menchevique, mais moderado, e o Bolchevique, mais radical.

O clima de insatisfação foi contido até 1917. Nesse período a Rússia saiu derrotada do conflito com o Japão pela posse da Manchúria e entrou na Primeira Guerra Mundial, piorando ainda mais a situação econômica do país. Com uma fome crescente nas ruas os partidos de oposição ao regime, os socialistas e liberais se uniram em diversas greves. Este primeiro momento ficou conhecido como Revolução de Fevereiro, ou Revolução Branca. A Duma foi invadida por revolucionários com faixas vermelhas. Kerensky, um respeitado advogado marxista, recebeu-os e tratou de organizar duas frentes. Uma formada pelos membros do Parlamento, conhecido como o Governo Provisório. A outra reunia os trabalhadores no grupo conhecido como o Soviete de Petrogrado. Apesar de tentar resistir, Nicolau II teve que fugir da capital, já que não tinha mais tropas fiéis. Sem escolha, o czar abdicou do trono e a república foi proclamada.

Inicialmente os bolcheviques tiveram um papel secundário, o que mudaria com o retorno de dois líderes socialistas ao país, Lênin e Trotsky. Radicais, não estavam felizes com a estruturação do estado após o fim do absolutismo, afirmando que apesar da nobreza ter caído, a terra continuava na mão dos latifundiários burgueses. Os eventos tomaram uma proporção maior em outubro, quando o Comitê Militar Revolucionário, uma entidade de fachada para a atividade da polícia bolchevique, a Guarda Vermelha, pôs fim ao Governo Provisório, após este tomar algumas medidas para proteger o estado de uma possível insurreição. O golpe teve o apoio também do exército que concordava com a proposta bolchevique de paz imediata e abandono da guerra “capitalista”.

O poder foi passado todo para o Soviete de Petrogrado. Na noite do dia 21 de outubro aconteceu o Segundo Congresso de Sovietes, que criou um Conselho de Comissários do Povo, formado essencialmente por bolcheviques, para ser a base do novo governo.

Uma das primeiras medidas tomadas foi a saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial. Logo em seguida foram abolidos também o direito a propriedade privada. Rapidamente o caráter ditatorial do novo governo pode ser percebido. Uma tentativa de formar uma Assembleia Constituinte surgiu e eleições chegaram a ser realizadas. Entretanto, Lênin reprimiu a ideia afirmando que o modelo dos sovietes era superior a de uma assembleia. Uma manifestação favorável a eleições foi reprimida a tiros pela Guarda Vermelha. Diversas regiões foram contra as decisões do governo bolchevique o que criou uma guerra civil que durou até 1922.

Em dezembro do mesmo ano foi organizado um Congresso de Sovietes que deu origem a União Soviética. Lênin morreria em 1924 e daria lugar a Stálin como ditador do país.

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