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Tenentismo

Movimento político militar (início da década de 1920)

O movimento surgiu nos quartéis espalhados por todo o território nacional e tomou corpo no Brasil a partir de 1922. Basicamente integrado por oficiais de baixa patente, contou também com a adesão de civis como Osvaldo Aranha e Virgílio de Melo Franco.

A  primeira revolta ocorreu no dia 5 de julho de 1922, e ficou conhecida como os 18 do Forte, que se opunha à posse do presidente Arthur Bernardes. Participaram o Capitão Hermes da Fonseca Filho, além dos Tenentes Eduardo Gomes e Siqueira Campos, entre outros. Na Marinha se destacaram os tenentes Protógenes Pereira Guimarães, Ernani do Amaral Peixoto e Augusto do Amaral Peixoto.

Em 5 de julho de 1924, em São Paulo, surge a revolta armada que, sob o comando do General Isidoro Dias Lopes, consegue dominar a capital. De armas na mão, as tropas deixam São Paulo e  percorrem todo o interior do Brasil recebendo novas adesões, entre elas a do Capitão Luís Carlos Prestes, que comandou a coluna Prestes entre 1925 e 1927. Esse grupo composto por civis e militares armados caminhou mais de 24 mil quilômetros.

Em 1929, o Tenentismo passa a participar da Aliança Liberal, com exceção de Luís Carlos Prestes, que em maio do mesmo ano aderiu ao comunismo. Siqueira Campos, que seria um dos líderes, faleceu em um acidente aéreo em 1930. A Aliança Liberal, que era formada por representates do Rio Grande do Sul e Minas Gerais, pregava a justiça trabalhista, o voto secreto e o voto feminino. Teve o apoio de intelectuais da época como José Américo de Almeida, João Neves da Fontoura, Lindolfo Collor, Virgílio Alvim de Melo Franco, Afrânio de Melo Franco, Júlio de Mesquita Filho, Plínio Barreto e Pedro Ernesto, de membros das camadas médias urbanas, na época chamadas de classes liberais que se opunham às Classes Conservadoras formadas pelas associações comerciais e fazendeiros. No Rio Grande do Sul, o grande articulador da Aliança Liberal foi Osvaldo Aranha.

Entretanto, com o assassinato de João Pessoa, vice-presidente e do então candidato Getúlio Vargas, iniciou-se um movimento armado no país contra  Washington Luís, que foi deposto no dia 24 de outubro, impedindo assim a posse de Julio Prestes. Terminava desta forma a República Velha e tinha início a chamada “Era Vargas”. Em 24 de fevereiro do mesmo ano, Vargas cedeu e marcou a data das eleições para a Assembléia Constituinte.

Em 1932, a revolução constitucionalista eclodiu em São Paulo contra os tenentes e disposta também a derrubar o governo provisório. No entanto, Minas Gerais e Rio Grande do Sul não aderiram, ainda hesitantes quanto à luta armada e inclinados a tentar uma solução política. O fracasso da revolução paulista fortaleceu o tenentismo, mas a campanha constitucionalista ganhou força e se tornou um movimento social.

A Assembléia Constituinte eleita em 1933 foi dominada pelas oligarquias e os tenentes obtiveram pequena representatividade. No fim do mesmo ano, foram nomeados interventores civis para São Paulo e Minas Gerais, que ao lado do Rio Grande do Sul tornaram-se o tripé de sustentação do governo central, que se viu ainda menos dependente dos tenentes.

Em 1945, a considerada 'ala anti-Getulista do tenentismo' consegue pôr fim à era Vargas e lança a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes. O vencedor, no entanto,  acaba sendo Eurico Gaspar Dutra. Cinco anos depois o tenentismo disputaria novamente com o  General Juarez Távora. Uma nova  intervenção dos militares na política brasileira só ocorreria em 1964 e daria  início a uma ditadura de mais de 20 anos.

Quase todos os comandantes militares do golpe militar eram ex-tenentes de 1930 como Cordeiro de Farias, Ernesto Geisel, Eduardo Gomes, Castelo Branco, Médici, Juraci Magalhães e Juarez Távora. A visão golpista, o estado centralizado, o autoritarismo paternalista e o exercício da força para garantir a estabilidade do governo, característicos do tenentismo na década de 1930, foram então postos em prática. O Tenentismo continuou até quando morreram os seus membros, ou seja, em torno de 1970.

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