ir para o conteúdo
Busca
Busca por data

Pelé 80: o destino do craque numa página do Estadão

Jornal publicou frase profética sobre o jogador em 1957; Veja a trajetória do maior craque do futebol

23 de outubro de 2020 | 5h 01
Edmundo Leite, Liz Batista, Cristal da Rocha, Carlos Eduardo Entini - Acervo Estadão

Texto sobre Pelé publicado no Estadão em 1957

Texto sobre Pelé publicado no Estadão em 1957

Não se sabe quem é o autor das frases acima publicadas no Estadão em 11 de julho de 1957 após a vitória por 2 a 0 do Brasil sobre a Argentina no Pacaembu. Seja quem for, o redator anônimo fez questão de quebrar o estilo descritivo do texto sobre o jogo para fazer o comentário profético. Pelé cumpriria o destino ali avistado e o mundo agora comemora os 80 anos do craque. 

Quando a frase premonitória foi escrita, aquele que se tornaria o maior craque da história do futebol tinha 16 anos e conquistava seu primeiro título pela seleção brasileira, a Copa Roca, em seu segundo jogo com a camisa nacional. Foi dele o primeiro gol da final, aos 20 minutos do primeiro tempo. Mazzola ampliou para o Brasil aos 20 da etapa final. O jogo ainda foi para a prorrogação, que terminou sem gols, mas com direito a uma bola na trave de Pelé, de cabeça.

>> Estadão 11/7/1957

Notícia com frase sobre o destino de Pelé no jornal de 11/7/1957

Pelé aos 16 anos pressiona goleiro argentino no Pacaembu

Pelé havia estreado na seleção em outra  partida da Copa Roca, no dia 8 de julho, no Maracanã. O Brasil perdeu o jogo por 2 a 1, mas Pelé foi o autor do gol brasileiro, aos 32 minutos, quando a seleção perdia por  1 a 0.

Dali em diante, Pelé não sairia mais das páginas do jornal, seja com sua vitoriosa carreira no Santos, na seleção brasileira e no Cosmos ou por sua vida de celebridade planetária. Além dos 1281 gols, Pelé passaria a fazer parte da vida dos brasileiros.

Acompanhe alguns dos principais acontecimentos da fantástica trajetória de Pelé nos gramados e fora dele nas páginas, fotos e textos do Acervo Estadão.

[Veja a galeria em outra janela]

"TELÉ"

Em sua estreia no Santos, quando substituiu Tite numa goleada de 7 a 1  sobre o Corinthians de Santo André em 7 de setembro de 1956, o jornal grafou errado o nome do estreante: "O resultado por si só diz o que foi o espetáculo. No primeiro tempo, o Santos já estabelecera 4 a 0, através de Alfredinho (2), Del Vecchio e Alvaro. Na etapa final, coube a Del Vechhio, Telé e Jair a marcação dos demais pontos, enquanto Vilmar assinalou o único ponto do Corinthians." 

BRASIL CAMPEÃO COPA DO MUNDO DE 1958

Em 29 de junho de 1958, a seleção brasileira entrava em campo no Estádio Råsunda, na cidade de Solna na Suécia, para disputar com a seleção da casa a partida final da Copa do Mundo  de Futebol na Suécia. O time  brasileiro fez história e conquistou o primeiro título mundial de futebol do Brasil.  A equipe estrelada, que contava com craques como Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando, Gilmar, Garrincha, Didi, Pelé, Vavá e Zagallo, venceu a Suécia por 5 a 2, com dois gols de Vavá, dois gols de Pelé e um de Zagallo.

[Veja a galeria em outra janela]

Capa da Edição Especial de Esportes, Estadão de 29/6/1958

Capa da Edição Especial de Esportes, Estadão de 29/6/1958

O GOL MAIS BONITO E IMAGINADO DE PELÉ

A jogada magistral de Pelé no jornal de 3/8/1959

O dia 2 de agosto de 1959 seria uma data qualquer do futebol. Não era nenhuma final de campeonato, de Copa do Mundo ou despedida de um grande craque. Mas aquele domingo entraria para a história por conta de um jogo do Campeonato Paulista no estádio Conde Rodolpho Crespi, o popular campo do Juventus, na rua Javari. Foi neste dia e local que Pelé fez o gol mais bonito de sua carreira, na vitória do Santos contra o Juventus por 4 x 0.

Além de ter sido o mais bonito, foi o mais imaginado na história do futebol brasileiro. Dos mais notáveis gols, foi o primeiro que não teve imagem registrada em vídeo. O outro foi em 1961, na partida contra o Fluminense: "Uma pintura de Pelé vira "Gol de Placa".

Poucas fotos existem da jogada em que Pelé driblou toda a defesa juventina com direito a três chapéus, inclusive no goleiro Mão de Onça. A reconstituição da jogada, existentes há mais de 40 anos somente na memória de alguns, ganhou vida no filme "Pelé Eterno", de Aníbal Massaini. Em 2001, o Estado publicou o anúncio do filme que foi lançado em 2004.

GOL DE PLACA NO MARACANà

gol magistral de Pelé no jornal de 7/3/1961

Dia 5 de março de 1961. Fluminense e Santos jogam no Maracanã. Um a zero, gol de Pelé.  De repente, Pelé recebe a bola ainda em sua intermediária e dispara em direção aos adversários, driblando sete jogadores. Quando a jogada terminou, com a bola no gol do Fluminense, as duas torcidas, entusiasmadas com a jogada, aplaudiram em pé aquele que é considerado um dos mais belos gols do futebol brasileiro: o gol de placa.

Placa idealizada por Joelmir Beting para lembrar o gol de Pelé

Placa idealizada por Joelmir Beting para lembrar o gol de Pelé

Durante muito tempo, o jornalista Joelmir Beting foi erroneamente conhecido como o inventor da expressão 'gol de placa'. Mas só em 2001 o mal entendido foi desfeito. Beting criara a ideia de uma placa para gols memoráveis, mas não a expressão 'gol de placa'. Foi em 1961, quando o jornalista cobria, ao lado de Nelson Rodrigues, um jogo entre Santos e Fluminense no Maracanã. Depois de um lindo gol do Pelé  que não teve nenhum registro de imagem, Nelson Rodrigues comentou que a "obra iria ficar sem memória".

Com a frase na cabeça Joelmir teve a ideia de fazer uma placa e colocá-la no Maracanã para marcar o evento. Na semana seguinte, estavam Beting e Pelé inaugurando a placa no Maracanã. Daí em diante os comentaristas esportivos, diante de qualquer gol memorável gritariam "gol de placa". Com ou sem imagem.

Em 2001, foi a vez de Pelé retribuir. Deu ao Beting uma placa com a seguinte inscrição, "Ao Joelmir Beting, o idealizador da placa do Gol de Placa, o reconhecimento de quem fez o gol. Minha gratidão por essa homenagem eterna. Pelé"

TRICAMPEÃO PAULISTA 

A rotina de vitórias do Santos foi ilustrada com o título "Habituado a vencer, o Santos fez pouca festa." "Habituados a vencer, os santistas sorriam e comentavam a vitória que lhes valeu o tricampeonato, mas revelavam uma sobriedade que só pode ser interpretada como amadurecimento total de um quadro de campeões."

Tricampeonato do Santos no jornal de 6/12/1962

SANTOS CAMPEÃO MUNDIAL DE CLUBES 1962

Santos campeão mundial no jornal de 12/10/1962

Gilmar, Pelé e Pepe comemoram o título mundial em Lisboa 

SANTOS BICAMPEÃO MUNDIAL DE CLUBES 1963

Santos bicampeão mundial no jornal de 17/11/1963

PELÉ MARCA OITO GOLS E SANTOS FAZ 11 A 0

Além de Pelé, Pepe, Coutinho e Toninho fizeram os outros gols santistas. Pelé fez cinco gols no primeiro tempo, aos 4, 8, 16, 37 e 39 minutos. Depois do intervalo, marcou mais três, aos 25, 26 e 28 minutos.

Um dos 8 gols de Pelé no 11 a 0 do Santos sobre Botafogo de Ribeirão Preto

O MILÉSIMO GOL

Charge de Biganti na edição de 19/11/1969

Um pequeno passo para um atleta. Um gigantesco salto para o esporte. Nunca um gol foi tão aguardado. E talvez nenhum outro tenha sido tão festejado. Não só pelos torcedores do Santos, como também pelos adversários e todos os demais admiradores do futebol no mundo inteiro. O feito inigualável do maior craque da história do futebol naquela noite de 19 de novembro de 1969 jamais seria alcançado por outro atleta. O milésimo gol da carreira de Pelé ocupou três páginas inteiras do Estadão do dia seguinte, que descreveu cada detalhe do gol, da festa e dos bastidores. Reveja a cobertura histórica.

Pelé em 2012 com com a notícia de seu milésimo gol em 1969.

> "Estou feliz por também estar nessa história"

> Apito do milésimo gol de Pelé está preservado em Recife

> Veja o jornal de 20 de novembro de 1969 

Página do Estadão sobre o milésimo gol de Pelé.

Página do Estadão sobre o milésimo gol do Pelé.

Página do Estadão sobre o milésimo gol de Pelé.

Anúncio publicitário comemora o feito de Pelé

O PASSE MAJESTOSO PARA O CAPITÃO E O TRI NO MÉXICO

Pelé comemora o primeiro gol do Brasil na decisão da Copa de 1970 contra a Itália. O goleiro Albertosi está caído no chão e a bola no fundo do gol, 21/6/1970. A Seleção Brasileira venceu a Itália por 4 a 1.

Pelé comemora o primeiro gol do Brasil na decisão da Copa de 1970 contra a Itália. O goleiro Albertosi está caído no chão e a bola no fundo do gol, 21/6/1970. A Seleção Brasileira venceu a Itália por 4 a 1.

Não foi só uma vitória por 4 a 1. Foi um deleite. Um show. Um delírio. Inacreditável se todo o resto do mundo que não estava no Estádio Azteca no México não estivesse vendo ao vivo pela  televisão. Depois dos gols de Pelé, de cabeça, e o empate de Boninsegna que só o italiano se lembra, o tiro de Gérson de fora da área e o de Jairzinho na pequena área, uma obra de arte futebolística seria desenhada no gramado mexicano.

Numa troca de nove passes entre quase todos os jogadores da seleção brasileira, com direito a Clodoaldo driblando quatro italianos, Rivelino passa para Jairzinho, que lança para Pelé, e este, avisado por Tostão para tocar à direita, sem olhar, serve com delicadeza ao capitão Carlos Alberto Torres, que entra na área em velocidade incrível para disparar um míssil teleguiado de precisão indefensável. A maior seleção de futebol todos os tempos conquistava o inédito tricampeonato com o gol mais bonito da história.

[Veja a galeria em outra janela]

>> Os fuscas de Maluf para os tricampeões

O ADEUS AOS SANTOS EM FOTOS EXCLUSIVAS

O dia 2 de outubro de 1974 é um marco na história do futebol brasileiro e mundial. Naquela noite, na Vila Belmiro, Pelé, o maior jogador de todos os tempos, fazia a sua última partida com a camisa do Santos. Era o fim de uma vitorioso carreira de 18 anos no clube do litoral paulista, onde se consagrou e fez a maioria de seus mais de mil gols.

A equipe do Estadão, que contava com Fausto Silva como um dos repórteres, foi com alguns de seus melhores fotógrafos para cobrir a partida: Domício Pinheiro, Reginaldo Manente, Alfredo Rizzuti e Claudine Petroli. Manente conseguiu entrar no vestiário e fazer fotos exclusivas de Pelé no momento em que o craque deixava o campo.

Sozinho no vestiário após deixar o campo escoltado e cercado por uma multidão, Pelé se emociona junto ao seu armário no vestiário da Vila Belmiro. Veja a sequência de fotos e como o jornal cobriu a despedida em três páginas.

Pelé chora no vestiário fotagrafado por Reginaldo Manente em sua despedida do Santos.

[Veja a galeria em outra janela]

REI DO COSMOS: DESPEDIDA DO FUTEBOL COM 1281 GOLS

A despedida do maior jogador do mundo de todos os tempos aconteceu com uma grande festa nos Estados Unidos, com o seu Cosmos fazendo um amistoso contra o seu Santos. Se despediu alcançando a imbatível marca de 1281 gols. O repórter Reginaldo Leme estava lá e escreveu um relato. Um outro texto, reproduzido do New York Times, fazia comparações do momento de Pelé com o de outro gênio do esporte: Muhhamad Ali, que insistia em manter sua carreira, apesar de não mais mostrar o mesmo vigor dos velhos tempos.

Jogo de despedida de Pelé em Nova York na capa do jornal

Pelé e Carlos Alberto Torres no Cosmos em 1977

ATLETA DO SÉCULO

Pelé é eleito o Atleta do Século em votação

Pelé é eleito o Atleta do Século em votação

Três anos depois de se despedir dos gramados jogando nos Estados Unidos, Pelé incluiu mais um feito à sua vitoriosa carreira no Santos, seleção brasileira e Cosmos. Foi escolhido por jornalistas esportivos como "Atleta do Século" numa votação promovida pelo jornal francês L'equipe. Na votação com jornalistas das 20 mais importantes publicações esportivas do mundo, Pelé superou o velocista norte-americano Jesse Owens, segundo colocado, e outros gigantes do esporte mundial.

PELÉ FORA DOS CAMPOS

> Pelé se casa e vai para Europa

> Fotos históricas: o casamento de Pelé

> Pelé também é o rei das propagandas

> Pelé, Miss Brasil e Éder Jofre

> Pelé e os Trapalhões

Cartaz de Os Trapalhões e o Rei do Futebol, publicado no Estadão de 26/6/1986

Cartaz de Os Trapalhões e o Rei do Futebol, publicado no Estadão de 26/6/1986

> "Acho que nunca vai nascer outro Pelé"

Entrevista de Pelé em 27/10/1990

 Pelé conduz o Santos ao ataque em 1970

Pelé preocupa goleiro e os zagueiros do Guarani em 1971

Pelé preocupa goleiro e os zagueiros do Guarani em 1971

Veja também:

> A história das Copas do Mundo

> Fotos do Penta: 19581962 |1970 | 1994 | 2002

> Perfil: Pelé

+ ACERVO

> Selecione a data e veja o jornal do dia que você nasceu

> Capas históricas

> Todas as edições desde 1875

>> ACESSE TODAS EDIÇÕES DO JORNAL

Incêndio do edifício Joelma em 1974

Veja essa e outras capas históricas Incêndio do edifício Joelma em 1974

# Capa do jornal de 2/2/1974

Tópicos
ver todos